A dengue (CID A90) é uma doença viral aguda transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e costuma justificar afastamento do trabalho durante a fase sintomática e a recuperação. Não existe um número fixo de dias: a duração de eventual atestado é definida caso a caso pelo médico, conforme a avaliação clínica e a evolução de cada pessoa. O atestado só é emitido quando há indicação médica após consulta.
A doença evolui em três fases. A fase febril dura de 2 a 7 dias, com febre alta de início súbito (39°C a 40°C), dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular e nas articulações, prostração e, às vezes, manchas vermelhas na pele. Em seguida vem a fase crítica, geralmente entre o 3º e o 7º dia, justamente quando a febre começa a ceder — é nesse momento que podem surgir os sinais de alarme. Por fim, a fase de recuperação, em que os sintomas melhoram, mas a fadiga e a indisposição podem persistir por dias, exigindo repouso.
A dengue não passa de pessoa para pessoa: a transmissão ocorre apenas pela picada do mosquito infectado, sem contágio por contato direto, secreções, água ou alimentos. Por isso, o afastamento tem como objetivo o repouso, a hidratação e o monitoramento clínico do próprio paciente, e não a contenção de contágio entre colegas. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica; a conduta e o eventual atestado dependem de avaliação profissional.
Sintomas comuns
- Febre alta de início súbito (39°C a 40°C)
- Dor de cabeça intensa, em especial dor atrás dos olhos (retro-orbitária)
- Dor muscular (mialgia) e dor nas articulações (artralgia)
- Prostração e cansaço acentuado
- Manchas vermelhas na pele (exantema), que podem surgir entre o 3º e o 5º dia
- Náuseas e perda de apetite
- Coceira na pele, comum na fase de recuperação
Sinais de alerta — procure atendimento presencial
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura, sensação de desmaio ou queda de pressão
- Sangramentos: gengiva, nariz, pele, urina ou fezes
- Dificuldade para respirar
- Sonolência excessiva ou irritabilidade fora do comum
- Piora dos sintomas justamente quando a febre cede (entre o 3º e o 7º dia)
Procure pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192) imediatamente diante de sangramentos, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar, tontura, desmaio, confusão mental ou piora súbita quando a febre cede. Esses são sinais de dengue grave e exigem atendimento de urgência presencial.
Dá para resolver por teleconsulta?
Adequação à telemedicina: Depende do caso.
Limitações e escopo da telemedicina
A teleconsulta é adequada para orientação inicial, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento de casos leves e estáveis de dengue, sempre com orientação clara sobre hidratação e sinais de alarme. Não substitui o exame físico nem a coleta de exames laboratoriais (como hemograma e contagem de plaquetas), que podem ser necessários para classificar o risco e monitorar a evolução. A dengue exige reavaliação na fase crítica, portanto qualquer piora ou sinal de alarme deve levar a atendimento presencial. O eventual atestado é emitido somente quando indicado após avaliação médica, conforme a evolução de cada paciente.
Quando é melhor presencial
- Surgimento de qualquer sinal de alarme, especialmente quando a febre começa a ceder, entre o 3º e o 7º dia
- Necessidade de avaliação física, hidratação venosa ou exames de sangue (incluindo contagem de plaquetas)
- Sintomas que pioram, persistem ou não melhoram com as medidas iniciais
- Pessoas de maior risco: gestantes, lactentes, idosos e portadores de doenças crônicas
- Dúvida diagnóstica ou suspeita de outra arbovirose (zika, chikungunya) que exija avaliação presencial
Recuperação e retorno ao trabalho
A recuperação da dengue é variável. Muitas pessoas melhoram dos sintomas agudos ao longo de cerca de uma semana, mas a fadiga, a indisposição e a coceira na pele podem persistir por dias após o fim da febre, exigindo repouso e hidratação. O retorno ao trabalho depende da evolução clínica e da avaliação médica individual, não de um número fixo de dias. Casos com sinais de alarme, plaquetas baixas ou comorbidades podem precisar de recuperação mais longa e acompanhamento.
Perguntas frequentes
A dengue exige afastamento do trabalho?
Em geral, sim, durante a fase sintomática, porque a dengue cursa com febre alta, dores intensas e prostração, e exige repouso, hidratação e atenção aos sinais de alarme na fase crítica. No entanto, a necessidade e a duração de eventual atestado são definidas pelo médico após avaliação clínica, conforme a evolução de cada pessoa. O atestado não é garantido e só é emitido quando há indicação médica.
Consigo atestado de dengue por telemedicina?
A teleconsulta pode ser usada para orientação inicial e acompanhamento de casos leves e estáveis, e o médico pode emitir atestado quando houver indicação clínica após a avaliação. Porém, a dengue frequentemente exige exames de sangue (como contagem de plaquetas) e reavaliação na fase crítica, situações que podem demandar atendimento presencial. Diante de sinais de alarme, o atendimento presencial é necessário.
Por que a dengue piora justamente quando a febre passa?
A fase crítica da dengue costuma ocorrer entre o 3º e o 7º dia, exatamente quando a febre começa a ceder. É nesse período que podem surgir os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Por isso, a melhora da febre não significa que o risco passou: é fundamental manter a hidratação e procurar atendimento imediato diante de qualquer sinal de alarme.
A dengue pega de uma pessoa para outra?
Não. A dengue é transmitida apenas pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado. Não há contágio por contato direto com a pessoa doente, secreções, água ou alimentos. Por isso, o afastamento tem como objetivo o repouso e o monitoramento clínico do próprio paciente, e não evitar a transmissão entre colegas de trabalho.
O que significa CID A90 no atestado?
A90 é o código da dengue na CID-10, descrito no catálogo oficial como "dengue [dengue clássico]" — a forma habitual da doença. Pela Resolução CFM 2.381/2024, o diagnóstico em código consta no atestado, em regra, apenas com autorização expressa do paciente, salvo situações previstas em norma (justa causa ou dever legal). O código não determina a duração do afastamento — o número de dias, quando há indicação, é definido pelo médico após a avaliação clínica.
Precisa de um atestado?
O atestado é emitido apenas quando indicado após avaliação médica.
Quero me consultarRevisado por Dr. André Quintino (CRM 35060/GO) em 07/06/2026. Conteúdo informativo; não substitui consulta médica. Em emergência, ligue 192 (SAMU).
Fontes: gov.br · bvsms.saude.gov.br · bvsms.saude.gov.br